Sexta-feira, Julho 03, 2009

Auto-ajuda ou "Mas que rica banhada"

Eu já tive a oportunidade de, neste sítio, "analisar" o fenómeno d' "O segredo". E concluí que aquilo era uma valente banhada.
No mesmo sentido vem esta notícia no Público de hoje:


A leitura desta notícia faz-me concluir que este tipo de muletas raras vezes pode ajudar uma pessoa com baixa auto-estima, não quero dizer que alguns destes livros e outros meios, não sejam benéficos para o resultado a alcançar, simplesmente me parece que a grande maioria ou carece dos necessários conhecimentos científicos ou são elaborados por pessoas com baixa estatura ética.

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Slap Bet


Fui distinguido com a honra de arbitrar uma Slap Bet, no papel de Comissário, entre dois amigos.
Abster-me-ei de mencionar quais os termos, mas basta dizer que amanhã por esta hora já saberemos o desfecho da Slap Bet.
Deixo aqui a Bill of The Slaps, o conjunto de normas que regula este sagrado instituto:

THE BILL OF SLAPS

1. A slap bet is created when two parties involved in a disagreement, argument, or difference of opinion mutually agree that whichever party is proven right (or winning party) gets to slap whichever party is proven wrong (or losing party) across the face as hard as they possibly can.

2. In all Slap Bets, a Slap Bet Commissioner must be appointed. In the event of a discrepancy, the Slap Bet Commissioner makes the final ruling. The Slap Bet Commissioner must be someone fair and unbiased, someone kind hearted but not afraid to rule with an iron wrist.

3. When issuing a slap, the slapper must avoid lips and noses at all costs. The goal is for the palm of the slapper's hand to connect with the meaty part of the slappee's cheek thus providing utmost enjoyment and pain. If you're seeing handprint on cheek, you're doing something right. In the event of a bloody nose, the Slap Bet Commissioner shall award the slappee three slaps to be used in succession. Suggestion: The Dead Man's slap (rule 8.)

4. When issuing a slap, the slapper must not wear any rings, gloves, or other finger/hand ornaments to protect the safety of the slappee.

5. When issuing a slap, the slapper must keep one foot on the ground at all times to protect the safety of the slappee.

6. In the event of Premature Slapulation, (when the slapper slaps the slappee as hard as he or she possibly can and then afterwards, finds out that the slap was not warranted), the slappee gets to slap the slapper at least three times.

7. The Blind Man Slap: If the Slap Bet Commissioner deems the slappee particularly deserving, the Slap Bet Commissioner can issue The Blind Man Slap in which the slappee must close their eyes while being slapped.

8. The Dead Man Slap: Backhanded slaps are permitted only if used in succession. For example, if the Slap Bet Commissioner awards the slapper multiple slaps, the slapper can use a backhand if and only if it's preceded by a forehand. This is commonly referred to as The Dead Man Slap and is the only existing slap that allows the slapper to connect with both sides of the slappee's face thereby earning maximum slappage.

9. When the slappee gets slapped, he/she must accept the fact that they've just got slapped. Any retaliation against the slapper, by the slappee, will result in no less than ten slaps (with a set number to be delivered by the Slap Bet Commissioner.)

10. The most important rule: Enjoy! Few things in this world match the sheer joy one receives from slapping a friend right across the face. Especially after being proven right. So slap away!

Que Deus me ajude a cumprir este papel para o qual fui designado com Justiça e Dignidade, que me permita ser gentil para com o Slapee, mas ao mesmo tempo integro para com o Slapper e conceder-lhe a recompensa que ele merece.

Domingo, Junho 14, 2009

Tango.



Eu gosto de ver dança.
Um dos meus estilos favoritos é o tango. Adoro aquele misto de paixão e obsessão. É uma dança que pelo que ouvi dizer é das mais complexas e difíceis do mundo, que exige uma enorme dedicação.

Porém, há que convir que o tango é possivelmente a dança mais chauvinista que existe. Aquilo é uma série de movimentos em que um homem domina uma mulher apesar da sua luta e negação.
De destacar também o estilo musical, que é equiparável argentino ao fado.

Sábado, Junho 13, 2009

As elites de Washington.

Encontro-me neste momento a ler "Herzog" de Saul Bellow.
Tive a oportunidade de ler já o seu "Ravelstein" e fiquei fã da sua escrita.
Já em "Herzog" Bellow aprofunda a sua forma de retratar a depressão da existência humana e a sensação de claustrofobia das escolhas que um homem faz. Ainda vou pouco menos que meio. Mas estou gostar bastante.

Sobre livros.
Estive recentemente a fazer uma pesquisa de mercado (eheh) e fiquei banzado!
Parece que afinal os livros já não são bens de luxo!
Encontrei pelo menos 3 colecções de livros de bolso que sim senhor! Aquilo é que era qualidade! E além do mais eram baratinhos.

A primeira colecção é a BI. Iniciativa lançada por 3 editoras (Cotovia, Assirio e Alvim, e Relógio de Água) têm cerca de 60 classicos editados e são todos eles magníficos. O catálogo é bom e variado, a edição é primorosa, com capas lindíssimas e o texto muito bem organizado. Destes já comprei a Mensagem, Os doze Césares (que estou a ler conjuntamente com Herzog) e Hamlet (que estou ansioso para reler). As próximas vítimas serão os clássicos de Homero, porque pelo que tive a ver nesta colecção existem mini-versões das mostruosas versãos de luxo que a Cotovia editou de Ilíada e a Odisseia, infelizmente cada uma é 40 euros.

A segunda pertence ao grupo LEYA: BIS.
As edições são mais simples e por isso mesmo mais baratas. Ainda só tenho os Contos extraordinários de Edgar Allan Poe. Mas também gostei bastante.
Alguns destes livros pertencem ao Plano Nacional de Leitura, o que só por si é refrescante. Há que pôr as crianças a ler e dissecar o espiríto dos que nos precederam e dos que connosco coexistem para compreendermos os passos a dar.

a terceira vi de relance numa livraria e por isso não tive oportunidade de retirar os pormenores, mas segundo fontes seguras tem livros de Dan Brown (meh...) e o épico de Mario Puzo - o Padrinho - numa edição muito catita!

gosto muito!

Hoje ouvir Amália.

Estou neste momento a ouvir a música "Abandono" pelo voz de Paulo Praça do projecto Amália Hoje.
Homenageando Amália Rodrigues, Sónia Tavares e Nuno Gonçalves dos Gift em parceria com Fernando Ribeiro dos Moonspell e Paulo Praça dos Plaza criam este projecto, dando uma roupagem pop a 9 fados cantados por Amália Rodrigues.
Os elementos do projecto têm encetado uma forte campanha de divulgação mediática do mesmo, tendo eu já tido a oportunidade de ouvir as declarações suas por diversas vezes. Acredito na qualidade do projecto, que aliás é inegável.

Porém, pelo que tenho visto, a Crítica (essa criatura maldita) tem dizimado este projecto, chegando mesmo a dizer que a versão de Sónia Tavares de "Gaivota" é totalmente diferente da de Amália Rodrigues. Onde o autor deste comentário vê uma crítica eu vejo um elogio, pois nunca foi intenção deste projecto emular o estilo (incomparável) de Amália, mas sim divulgá-lo a uma nova geração de ouvintes que só viram a Amália quando ela já estava afastada dos grandes palcos.

Simplesmente arrebatadora a versão de "Foi Deus", a voz de Sónia Tavares passa do mais suave dos veludos para a mais forte das convicções (daqueles que dão novos mundos ao mundo) numa belíssima gradação.

É com grande prazer que oiço este projecto.

Deixo o medley que eles fizeram na cerimónia dos Globos de Ouro.


P.S. É impressão minha, ou temos uma nova geração de artistas musicais a cantar a Língua de Camões? Desde os Hoje, passando pelos doismileoito, pontos negros, os fantásticos Deolinda...
Estou a gostar de ver... Faz falta ouvir mais o português cantado.

pôr o pé em ramo laranja.

O domingo passado, ao contrário de cerca de 65% dos portugueses recenseados eu fui votar. Exerci aquele que me parece o mais importante direito político presente na nossa Constituição. Existem diversas considerações a fazer sobre domingo da semana anterior.

a Primeira é saber o que custa votar? Eu votei pela primeira vez e aquilo não me deu trabalho nenhum. Fui votar numa escola perto de casa e ainda revi muita gente que há muito tempo não encontrava.
Tenho para mim que o exercício do direito do voto é um requisito de legitimidade para que nos possamos queixar dos agentes políticos. Os que ficam no café sem exercer os seus direitos cívicos não têm qualquer legitimidade para se queixar. Se estão mal podiam tê-lo assinalado nas urnas. O 25 de Abril foi feito para alguma coisa. Esta é uma curiosa referência, se atentarmos que já há muito boa gente que aceita como bom o regresso de um "Salazar"... Chamem-me esquisito, mas eu cá gosto da democracia e da liberdade, por pior que ela seja.

A segunda. Como é normal, na noite de domingo não houveram notícias, mas sim análises profundíssimas, dignas de teses de doutoramento acerca dos resultados, as posturas dos candidatos, quais as palavras que José Sócrates ia dizer acerca da campanha do Avô Cantigas...
Enfim, 0 de serviço público.

A terceira. A crónica de Pacheco Pereira no Público de hoje. Quem acompanha o seu blog e as crónicas dele facilmente percebe que Pacheco Pereira é um defensor acérrimo de Manuela Ferreira Leite (não tanto do PSD). Ambos distintos cidadãos portugueses, porém as declarações de Pacheco Pereira hoje são diametralmente opostas às de Manuela Ferreira Leite após a vitória do PSD. Enquanto a líder do PSD mantém a sua postura sóbria e séria e profere um discurso humilde e seguro, mas sem achincalhar, Pacheco Pereira assume um carácter fanfarrão e de autêntico bully e só nas primeiras 7 linhas já tinha insultados os restantes principais partidos que concorrem para as eleições europeias. Adopta um discurso coloquial e pouco sério, quase roçando o vernáculo.
Manuela Ferreia Leite não precisa das defesas de Pacheco Pereira e Pacheco Pereira não precisa expor factos como se estivesse a discutir numa tasca.
E digo já que não, não sou um cão de fileira do PS.

a última é referente ao veto de Cavaco Silva à nova lei do financiamento partidário. Já basta a máfia que vai nos partidos políticos, não precisamos de os transformar na Camorra, aumentando os valores de donativos e aceitando-os sem qualquer referência a quem deu o dinheiro.
O financiamento dos Partidos deve fazer numa atmosfera de transparência e serieadade que não coaduna com a ratio desta lei.

A ronaldomania "ad nauseam"

Eu cá tenho um pequeno problema com seguir as modas ou enfileirar na maralha...
Gosto de pensar que avalio as coisas objectivamente e depois fazer os meus juízos.

Com base nisso tenho que dizer que é uma palhaçada o circo mediático que se montou novamente de roda de Cristiano Ronaldo (que não esqueçamos, tem este nome em homenagem a Ronald Reagan! quem diria que as domésticas madeirenses conheciam mais do que um nome de dirigente de esquerda? )

Dissequemos toda a atenção que o super-puto está a receber:

a) Ele é bom jogador. E a sua transferência mais cara da história do Futebol. A segunda parte é verdade, a primeira é meio verdade, porque se ele fizesse na selecção o que faz no Manchester Portugal a esta altura já era Bicampeão do Mundo e da Europa.
Sobre o valor. Eu não sou um fanático de futebol, gosto de ver bons jogos (por isso não assisto à liga portuguesa) por isso é com alguma pena que vejo que isto do futebol já não é um desporto na acepção do termo há coisa de uns vinte anos, é uma fogueira das vaidades mediática que aliena muito boa gente e leva a enormes transferências monetárias, sendo que 94 milhões constitui um claro exagero e abuso! Com metade dessa soma eu devia comprar o alentejo inteiro e ainda podia ir comprar umas rifas.
Sobre a questão de dever ou não haver um tecto máximo para transferências. Diabos! Parece-me que deve haver... ainda para mais quando estamos numa conjuntura de crise. Por falar em crise. Em Portugal o Estrela da Amadora está a definhar, e em Espanha é o Valência. Quanto tempo durarão à tona gigantes como Manchester ou Real que têm passivos na ordem das centenas de milhões de euros?

b) o "Ronaldismo"
Muitos agentes políticos gostam de fazer declarações relativas à garra e empenho da selecção portuguesa de Futebol, dizendo que estes são heróis e exemplos para a sociedade... Nisto consiste o Ronaldismo, que hoje suplante o antigo mito do Sebastianismo.
Eu vou ser honesto. Tenho sérias dúvidas que um jogador de futebol seja exemplo para o filho de quem quer que seja. Um médico ou um professor são bons exemplos, agora marmanjos sem habilitações literárias que não conseguem distinguir Harry Potter de Camões nem obter o seu sustento de outra forma que não correr atrás de uma bola e arranham a língua portuguesa...
Portugal tem de deixar de viver obcecado e centrado no futebol e levantar a cabeça e enfrentar a realidade. Não é o futebol que enche a barriga aos nossos filhos, mas sim o exercicio dos nossos direitos civicos (esta é uma boca para os que foram para a praia no último domingo)

C) Vem no seguimento da ideia anterior.
É mesmo preciso 30 minutos de bloco noticioso a destrinçar a ciência e o esoterismo por trás desta transferência?
Como se já não bastasse a duração exdrúxula dos noticiários em Portugal e a sua obsessão com os conteúdos inúteis temos ainda de gramar com a mesma súmula da vida do Ronaldo, a mesmas bacoquices a sair da boca de Dolores Aveiro. A única novidade foi eu descobrir que a Ronalda (!!!) tem uma música onde homenageia o irmão no bom estilo de música popularucha portuguesa.

Este assunto não tem uma unha do interesse que se lhe apontam.

Tirar o pó aos armários...

Olá a todos...

Já lá vai algum tempo, mas enfim, a faculdade exaure-me e por isso tenho de deixar aqui estabelecimento a ganhar pó. O que é uma pena..

Mas agora tenho algum tempo para pôr a casa em ordem.

Sábado, Maio 09, 2009

The Confrontation

[JAVERT:]
Valjean, at last,
We see each other plain
`M'sieur le Mayor',
You'll wear a different chain.

[VALJEAN:]
Before you say another word, Javert
Before you chain me up like a slave again
Listen to me! There is something I must do.
This woman leaves behind a suffering child.
There is none but me who can intercede,
In Mercy's name, three days are all I need.
Then I'll return, I pledge my word.
Then I'll return...

[JAVERT:]
You must think me mad!
I've hunted you across the years
A man like you can never change
A man... such as you...

[VALJEAN // JAVERT (in counterpoint)]
Believe of me what you will // Men like me can never change
There is a duty that // Men like you
I'm sworn to do // can never change
You know nothing of my life // No, 24601,
All I did was steal some bread // My duty's to the law
You know nothing of the world // You have no rights
You would sooner see me dead // Come with me 24601
But not before I see this // Now the wheel has turned around
justice done // Jean Valjean is nothing now
I am warning you, Javert // Dare you speak to me of crime
I'm a stronger man by far // And the price you had to pay
There is power in me yet // Every man is born in sin
My race is not yet run // Every man must choose his way
I am warning you, Javert // You know nothing of Javert
There is nothing I won't dare // I was born inside a jail
If I have to kill you here // I was born with scum like you
I'll do what must be done! // I am from the gutter too!
[VALJEAN breaks chair and threatens JAVERT with the
broken piece. Turns to Fantine.]

[VALJEAN:]
And this I swear to you tonight

[JAVERT:]
There is no place for you to hide

[VALJEAN:]
Your child will live within my care

[JAVERT:]
Where ever you may hide away

[VALJEAN:]
And I will raise her to the light.

[VALJEAN & JAVERT:]
I swear to you, I will be there!




Segunda-feira, Abril 13, 2009

It's gonna be legen - wait for it - dary!


Passei algum tempo das minhas férias a ver esta série.
Já tinha saudades de uma boa comédia que fizesse companhia a Big Bang Theory, após o vácuo deixado por Friends e a decadência de 2 homens e meio.
A série tem uma enorme influência de Friends, circunscreve-se às aventuras e desventuras de um grupo de 5 amigos e principalmente nas tentativas de Ted Mosby (architect) para encontrar a sua cara-metade. E isto porquê? Porque como o título explica, Ted está a contar aos seus filhos como conheceu a mãe deles, daí o título.
A narração da série dá-se em 2030 o que faz com que os episódios decorram em flashback e muitas vezes dentro da acção principal ainda existem outros flashbacks, seja para explicar como os amigos se conheceram, ou algum momento marcante da vida do grupo.

Pontos a destacar da série:
Neil Patrick Harris, com o seu Barney Stinson o homem leva a série às costas.
O seu narcisista e irritante personagem tem sempre as deixas mais engraçadas.
Além de que o seu percurso pela série é meramente notável, de simples womanizer desenolveu uma paixâo pela ex do seu melhor amigo, violando assim o Bro Code. Situação que rendeu um optímo episódio.
Alyson Hannigan, um dos antigos do bando do American Pie que conseguiu fazer uma carreira a sério (mais ou menos). A sua Lily é puramente hilariante e a sua principal função de confidente do grupo rende optímos momentos.

Há muito mais para destacar, mas ainda falta muito da série e por isso é bom não lançar muito spoiler.
Basta agora esperar a descoberta da mulher do guarda-chuva amarelo e que Barney e Robin fiquem juntos.

alguns momentos optímos:




Gay marriage is wrong? WRONG!!! It's right!!!!!



Abri o youtube na página principal encontrei um vídeo deste petiz onde ele recitava a sua passagem favorita da Bíblia. E na barra lateral encontro esta pérola. Ganhei o dia com isto! Passei a tarde a estudar, mas só por encontrar este vídeo, ganhei o dia! É lindo!!!

Após ter visto o vídeo apeteceu-me lançar uma série de críticas sobre o rapazinho de tal forma fortes e venenosas que fizessem corar o Alberto João Jardim, mas após um breve pesquisa no site percebi que o rapazinho é vítima de muitas críticas e poucas delas são construtivas, por isso vou-me abster ao plano dos factos.

1) é triste ver uma criança tão pequena a ter tantos preconceitos elaborados e defendê-los com tão arreigado fanatismo. Se no seu contacto familiar ele toma conhecimento deste tipo de concepção sobre o certo ou o errado: tudo bem, mas competirá aos sistemas de ensino promover um desenvolvimento intelectual sadio que consiga limpar estas porcarias da cabeça dos miúdos.
E isto pode ser passado para o Portugal de 2009 onde o ensino da teoria da evolução e as subsequentes que a têm como base é negligenciado para ensinar coisas tão inúteis a área de projecto ou a formação cívica. Isto no ensino público, quando se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin.

2) é fundamental que se distinga o matrimónio do casamento civil.
O matrimónio é a união legítima entre homem e mulher sacralizada pela Igreja.
O casamento civil previsto no artigo 1627.º e seguintes do Código Civil (isto no caso português) é um contrato pelo qual duas pessoas passam a viver em comunhão.
Evitarei enveredar pela discussão quase metafísica sobre a essência do matrimónio e qual a natureza do vínculo que daí nasce. Deixarei isso aos teólogos e aos sociólogos.
Porém no casamento civil a situação é diferente, a sua natureza jurídica enquanto contrato traduz-se num conjunto de direitos e deveres para os cônjuges, correndo o risco de ser simplista, o exemplo paradigmático é no campo patrimonial, veja-se o regime no que toca à administração dos bens do casal ou a aceitação de doações ou heranças (entre muito outras). O que nos leva ao próximo ponto:

3) Concebendo o casamento civil como um contrato, não permitir que duas pessoas do mesmo sexo possam celebrá-lo de modo a terem os mesmos direitos que duas pessoas de sexo diferente é puramente inconstitucional (além de repugnante) por violação do artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa que consagra o Princípio da Igualdade.
Este ponto já foi dissecado por muitas outras pessoas e a sua argumentação, para mim, além de coerente e conforme com o Direito foi bem exposta no programa Prós e Contras de 16/02/09, com uma acirrada defesa de Isabel Moreira e de Carlos Pamplona Côrte-Real (1.ª parte/2.ª parte/3.ª parte)

4) Não querendo repetir o que já foi dito muitas vezes por muitos, analisemos outro ponto que os opositores à abertura do casamento a pessoas do mesmo sexo levantam muitas vezes: o de o casamento ser uma união sagrada e especial e que por isso deverá ser vedada a pessoas de sexos diferentes, as pessoas de mesmo sexo que queiram viver em comunhão que se conformem com a união de facto.
Tal argumento peca na sua raíz dada a óbvia negação de um princípio constitucional e depois pela imposição desarrazoada que é impor às pessoas de mesmo sexo o regime da união de facto. Falta aqui o elemento de escolha inato à vida do ser humano. Se A (homem) quer viver com B (mulher) pode escolher se o quer fazer ao abrigo do regime do casamento ou do regime da união de facto. Por outro lado se C (homem) quer viver com D (homem) teria, segundo esta linha de "raciocínio" conformar-se com o regime da união de facto. Com base em quê é que tal imposição é sustentada? Isto é... Sem ser com base num infeliz preconceito irracional.

5) A união sagrada a que essas pessoas se referem, é o matrimónio e nesse ninguém quer mexer. As elites no Vaticano podem continuar a apregoar as suas vazias virtudes enquanto milhares morrem à fome e eles passam o tempo na sua pequena cidade rodeada de luxos e mordomias.
O matrimónio concebido pela Igreja esse sim assenta na união entre pessoas de sexos diferentes e, pelo menos em Portugal, o Estado nada tem a ver com isso. Desde 1910 que Estado e Igreja pertencem a esferas diferentes. E por isso eu estou grato.

Concluindo:
Como os pares de pessoas do mesmo sexo são iguais aos pares de pessoas de sexo diferentes e ambas desejam passar a sua vida em comunhão, nada justifica essa inconstitucional proibição de contrair casamento.

Breves apontamentos:
1) O exemplo da mão.
A sério puto? Não tinhas um exemplozinho melhor? é que uma mão é uma parte de uma pessoa não se podem casar. É nisto que dá as crianças só aprenderem aqueles balelas do criacionismo e do "inteligent design" e não aprenderem biologia a sério.
2) "God invented the male and the female".
Escolha bastante interessante de verbo.
3) consegui analisar esta questão sem misturar casamento e família, modéstia à parte mas isso é bom! Muito teóricos da nossa praça quando abordam o tema, não conseguem ver que eles não são assim tão indissociaveis.
4) A pretensa Normalidade!
A normalidade é algo muito sobrevalorizado... Se fossemos todos normais gostávamos todos do amarelo, o que não tinha piada nenhuma.
O que não é normal é aceitarmos discriminar as pessoas com base numa mera caracteristica que não as torna diametralmente diferentes os demais.

Mas o melhor eu reservo para a o fim.
Uma das respostas ao vídeo que eu deixei acima, que me parece adequado para acabar este post.


Terça-feira, Abril 07, 2009

Tomou posse há pouco mais de dois meses e já anda com más companhias...